sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Quem vai brilhar no Nicoloco 2010?

17 de Setembro, sexta-feira à noite. Primeiro dia de Nicoloco. Acabo de chegar em casa e coloco o pijama: pelo segundo ano seguido, não participarei da festa mais esperada do ano.

Minha cabeça, um caos. Uma mistura de cansaço e tristeza. Já estava decidido a não ir, em nenhum momento sequer tive vontade. Mas agora, e como sempre de última hora, deu aquela vontade falsa de seguir o fluxo. É a tal "ditadura da felicidade". Para ser feliz você tem que fazer o que a maioria das pessoas fazem, ir aonde as pessoas vão, ter um corpo bonito, ser popular, ter uma namorada, e uma lista de outras coisas mais. Uma falsa idéia vendida todos os dias. Ditadura quase impercepitível aos nossos olhos e que me mata. Principalmente por saber que esse estilo de vida não condiz com a minha realidade. E nem poderia, fato que, mesmo não gostando, tenho que aceitar. E quanto mais cedo o fizer menor será o sofrimento e a angústia, companheiros de estrada .

Por vezes chego a pensar que eu não sou desse mundo. Sinto estar na época errada e no lugar errado. Não é possível que alguém possa destoar tanto assim do comportamento humano. Já se passaram 22 anos de vida e ainda não encontrei alguém para viver, alguém por quem viver, alguém porquê viver. Quase me sinto um ET, vivendo camuflado, tentando me adaptar ao meio, buscando compatibilidades, amizades, e principalmente, tentando seguir o fluxo. Hoje, descobri que isso não é mais possível. Vejo uma sociedade cada vez mais egoísta. O interesse na vida alheia se restringe aos limites da compararação, saber quem está na melhor situação, e tirar disso o máximo proveito. Hipocrisia, sim. Já cansei de me decepcionar com as pessoas, e por isso cada vez crio menos expectativas, e vou mudando de sentindo, seguindo o meu próprio fluxo. Aonde ele vai me levar, ainda não sei.

A noite vai ficando velha e o início da festa se aproxima. Enquanto fiquei aqui escrevendo mais uma postagem que provavelmente ninguém jamais lerá, alguém, ou vários "alguéns", estarão "brilhando" no Nicoloco 2010. Quem serão as "estrelas" dessa vez?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tédio ou exaustão?

O tempo é um verdadeiro mistério. Quando não temos absolutamente nada para fazer, ele não passa, e ficamos esperando que chegue a noite, e o dia seguinte, quase em desespero. Mas quando a vida está movimentada e boa, ele voa, e quando você menos se dá conta, a semana acabou sem saber como, e o mês também, e foram-se os anos. Não há meio termo: ou se morre de tédio ou de exaustão. O que é melhor? É a pergunta sem resposta. Difícil escolha.

Quando não se faz nada, sobra tempo para pensar em coisas que nos fazem ou fizeram sofrer, lembrar do passado com arrependimento, saudades, ou, o pior de tudo, com a sensação de não ter vivido-pensamentos, aliás, absolutamente inúteis.

Quando o tempo sobra, qualquer palavra que se ouve é analisada, o contexto em que ela foi dita pode ter proporções perigosas, e até o tom de voz pode ter um grave significado. Se um amigo diz alguma coisa que não soa bem, é uma punhalada no coração, e quem tem o dia pela frente para ficar remoendo o que ouviu vai viver um drama, pois nada melhor que um dia ocioso para fazer de uma bobagem uma grande tempestade. Mas pergunte a alguém, relativamente atarefado, quanto tempo dura o sofrimento. Exatamente o tempo entre uma tarefa e outra; quão logo, o problema já acabou.

Ah, o tempo; o tempo que não se tem para ouvir os nossos amigos, o tempo que eles não tem para escutar os nossos problemas. E como não se pode viver sem ter com quem falar, sobra cada vez mais epaço para os psicólogos e analistas, que dedicam 60 minutos inteiros só a nós, ouvindo todas as bobagens e nos "compreendendo", sem que o telefone toque, sem que a namorada chame ou que surga algo novo para fazer.

Realmente patético, e por isso me recuso a consultar um profissional do gênero. Dias desses, aliás, tomei minha decisão: optei pela exaustão.

sábado, 8 de maio de 2010

Sorte no amor

Recordo com nostalgia meus tempos de calouro. Adaptação a uma vida nova, tempo com sobra para lazer e prestigiar o novo, predisposição e animação para conhecer gente diferente a todo instante. Em uma dessas oportunidades, acontecia a Copa DCE de Futebol. Minutos antes da partida dos "Brow's", o time já estava à beira da quadra esperando pelo jogo. Na partida preliminar, acontecia o último jogo da primeira fase, e em quadra o time de Matemática, disputando uma vaga nas oitavas de final. Na torcida, duas animadas garotas, que gritavam e incentivavam o tempo todo. Porém tudo aquilo havia sido em vão: o time perdera e fora eliminado. Nem por isso elas desanimaram, na verdade o resultado do jogo não importava tanto assim, o que valia mesmo era a diversão e a farra que faziam. Queriam, então, arranjar outro time para torcer; e pra isso, nada melhor do que esperar pela partida seguinte. Com um futebol envolvente, o time dos Brow's ganhou duas novas torcedoras. E elas faziam bem esse papel: queriam saber o nome de todos os jogadores, gritavam, reclamavam do juiz. Precisavam de um "informante", como elas mesmas intitularam. E este papel coube a mim. Como eu gostava daquilo, eu passei a fazer parte daquela farra contagiante. Dessa forma, aquele jogo nos aproximou e começamos ali uma amizade que perduraria por um bom tempo.

Mas natural que seja com a correria do dia a dia, acabamos por nos afastar das pessoas que eventualmente não temos tanto contato. E nossas longas conversas foram se encurtando cada vez mais, até se tornar um simples cumprimento na reta da UFV. E aos poucos nem isso. Nas raras vezes que avistava alguma delas (já que eram raras também as vezes em que as encontrava juntas), sentia uma nostalgia tão grande acompanhada por uma conseqüente tristeza. Mas da última vez que as vi teria sido ainda pior. Foi em uma missa. Como de costume, cheguei um pouco mais cedo a fim de garantir um lugar para sentar. Com o assento garantido, aproveito os minutos que antecedem a cerimônia religiosa para observar a entrada dos que chegam, e avistar, quem sabe, um rosto conhecido. E nesse dia vejo então chegar as duas velhas conhecidas. Fazia muito tempo que não as via. Porém dessa vez não estavam sós, uma delas estava com um namorado. Os rostos que conheci já não eram mais os mesmos, foram desfigurados pelo tempo. Pareciam mais maduras, mais mulheres. E entre aquela velha e sólida amizade, havia uma distância efetuada pelo tempo e agora também separada por um namorado. Em seus semblantes, a visível diferença entre um olhar apaixonado e outro olhar, mórbido e triste. Aquilo me deixou com um sentimento contraditório. Ao mesmo tempo em que era bom revê-las juntas, senti-me entristecido ao ver a amiga que ainda não tivera sua sorte no amor. E como se isso não fosse suficiente, já não tinha também tanta sorte na amizade.

A missa assim como o domingo acabou, porém tal situação me deixaria pensativo por toda a semana que viria. Minha reflexão não se limitava a este caso em específico, pois situações como esta se tornam cada vez mais habituais. Amigos, antes inseparáveis, correndo o risco de se esquecerem antes mesmo da faculdade acabar. E os motivos que levam a isso são vários. Mas acredito que o mais freqüente seja mesmo o namoro. No início, ou às vezes até bem mais que apenas no início, o namoro traz consigo o amor e paixão ardentes. E com isso, quem perde espaço é sempre o velho amigo. É bem verdade que tão logo alguns namoros terminam, e as amizades mais fortes que são capazes de suportar esse período, ganham uma nova vida e se reafirmam. Outras, porém, não são capazes de resistir: "segurar vela" não é tarefa fácil e tampouco agradável. O amigo solteiro se vê diante de uma situação no mínimo incômoda, e até mesmo inesperada, e sai em busca de uma alternativa. Ou pode ser que não reaja bem e se feche, deixando a vida social de lado. E ainda trata com desprezo e aparente desdém o velho amigo. Não por maldade, mas talvez seja essa a forma de demonstrar que sente a perda, e a falta que faz o companheiro. Falo por quem já passou por isso, é como se nos fosse tirado um pulmão. Falta disposição para seguir adiante e procurar outro fiel escudeiro, até porque não é fácil achar alguém que nos aceite e tenha afinidade.

E por essa e outras, digo que a amizade nada mais é que um jogo de baralho. Vence quem sabe jogar as cartas certas no momento certo. Aproveito então para fazer uma ressalva naquele velho ditado, que diz "sorte no amor, azar no jogo" (ou vice versa). Às vezes o azar pode ser em ambos. E se estivermos falando de um "sortudo" no amor, porque não dizer que também teve sorte na amizade (ou melhor, no jogo)? Afinal, ele pode nem se dar conta e perceber que a amizade já não é a mesma. Sorte ou azar, então, é apenas uma questão de ponto de vista. Seja ele pessimista ou não.

Abandono

Já se passa quase um mês desde minha última postagem. Inacreditável como foram corridas estas últimas semanas. Muita coisa pra fazer, tempo insuficiente pra descansar e tempo inexistente pra postar no blog. Surpreendentemente, não tive tempo nem pro tédio! O que não quer dizer que não tive os meus momentos de reflexão e as habituais "viagens", que levam a inúmeras idéias e pensamentos que tenho vontade expressar em textos.
Por hora, tudo enfim se acalma e volta ao normal. Em resumo, estou de volta ao blog.

domingo, 11 de abril de 2010

Para Refletir (2)

"Tudo é precioso para aquele que foi, por muito tempo, privado de tudo." (Friedrich Nietzsche)

O Segredo

Começo o texto de hoje com uma frase de Vladimir Maiakovski: "Não é difícil morrer nesta vida. Viver é muito mais difícil". Sei que muitos não concordam com o autor, o que é bom. Gostaria também de não concordar. Mas no momento não é possível. De uns tempos pra cá, em situações completamente aleatórias e sem motivo aparente, frequentemente sinto que viver se tornou um peso. Alguns anos atrás não era assim. Mas a vida dá a cada um as molduras que fazem de nós quem somos. E por isso, todo comportamento tem um porquê. Ao julgar cada atitude e cada personalidade devemos considerar o contexto e ao menos tentar compreedê-lo.

As coisas vinham melhorando muito, é bem verdade. Mas ontem tropecei de novo pelo caminho. Tudo ia bem. Mais do que o normal, diria. Embora com muita coisa pra fazer, mesmo já sendo final de semana, estava tranquilo. Até que de repente e inesperademente uma insanidade tomou conta. Quase fiquei louco. Entediado. Queria sair a qualquer custo.
Entretanto, as poucas opções, e porque não dizer o frio, me levaram a ficar em casa.
O tédio e a ansiedade foram superados com uma boa noite de sono, até que viesse o dia seguinte.
No sábado de manhã, já sem saber se estava mais desesperado ou ansioso, a produtividade não estivera em alta. Preocupante, visto o grande número de tarefas que tenho a realizar. Mas já dizia o ditado, nada é tão ruim que não possa piorar. E a tarde chegara para comprovar isso. Zero por cento de concentração: não conseguia entender uma palavra sequer que lia. Motivo mais que suficiente pro desespero tomar conta de vez. Sensação horrível. Assistir TV, tentar dormir, tudo em vão. Nada que fazia mudava o panorama. E sabia o porquê: a carga estava pesada. Chega uma hora em que o cérebro pede um tempo. Não adianta, temos um limite, e tentar ultrapassá-lo não é conveniente. Mas as causas não são tão simples assim: tenho uma estranha necessidade de 'estar' entre pessoas. Não consigo ficar sozinho. E passar a manhã de sábado sem ver uma alma viva fora sem dúvida um agravante para a situção.

Quão logo, então, me veio uma idéia: sair de casa poderia ser a solução. Lembrei-me que no Cine Carcará estava em cartaz um filme que me agradava e poderia ser uma boa alternativa. Tratava-se do vencedor do oscar de melhor filme estrangeiro de 2010, o argentino "O segredo dos seus olhos". Resolvi sair de casa e abandonar tudo por um instante. E assim iria eu naquela que seria minha primeira vez no Carcará. No caminho, muita reflexão. Os "dispostos" iam pra festa de sábado. Animação e muito movimento pelas ruas, principalmente no ponto de ônibus. Por um certo instante, bateu um arrependimento por não ir. Já me habituara a frequentar essas festas, mas hoje não me animo mais.
Me perguntava se realmente fazia a escolha certa. E fui recordando dos meus grandes momentos em Viçosa. Mas que no final não faziam a menor diferença, se hoje passava pelo passei: sentia ali mais uma vez o peso de viver. Um vazio que há muito busco preencher. Uma angústia incontrolável.

Depois da tempestade veio, enfim, a calmaria. Um vento sereno e a certeza de que encontrara a solução: estava em paz de novo.
O filme, muito acima das expectativas e não menos reflexivo que o dia. A questão central pairava em torno da pergunta: "como se faz para viver uma vida vazia?". A resposta não é fácil para quem tem de respondê-la. E acredito que seja justamente sua resposta o grande "segredo" da vida. Não é fácil carregar um passado sem sentido e muito menos não conseguir enxergar no futuro as certezas que precisa no momento.
O segredo é então encontrar, cada um a sua maneira, um sentido pra vida, para que ela não se torne um peso. O segredo é manter o equilíbrio e paz consigo mesmo. Manter por perto as pessoas que ama. Saber conciliar e ter sensatez nas escolhas. E principalmente, saber aceitar e lidar com as perdas.

Feliz é quem nem precisa descobrir o segredo.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Sobre o Tempo

9 de Abril. Olhando assim, parece não ter nada demais, é apenas mais uma data. E de fato é. Mas parando pra pensar, já estamos no segundo quarto do ano! Sim, os primeiros 25% já ficaram para trás e pouca gente se deu conta disso. O mais intrigante é que me lembro de 2009 como se fosse ontem. A noção de tempo realmente espanta. E dentro de alguns dias, Abril terá chegado à sua metade, em uma "velocidade" ainda mais incrível do que a chegada da segunda quinzena de Março!

O texto de hoje nada mais é do que uma análise sobre o tempo. Defendo uma teoria de que a cada ano que se passa, o tempo passa mais rápido. Ou então, percebe-se cada vez menos 'ele' passar. Recordando minha infância, lembro que o tempo não passava tão depressa assim: tinha a exata noção de quanto um dia demorava para passar, do quanto uma hora poderia render e de outras coisas simples, como ver o dia acabar e a noite chegar. Ao longo do anos, entretanto, essas noções foram se perdendo, por ironia, no tempo.
Agora o dia passa tão depressa que as 24 horas quase nunca são suficientes para fazer tudo que é necessário. Uma hora é quase insignificante, mal dá pra fazer nada, chega a ser quase uma perca de tempo começar a fazer algo para qual se tenha tão pouco tempo disponível. Noções de dia e noite, estas sim se perderam de vez. O por do Sol é quase um detalhe e muitas vezes passa despercebido, afinal a noite tornou-se um período para dar continuidade às atividades do dia.

E quando falo isso, sei que não falo apenas por mim. De um modo geral, as horas de um dia ficaram insuficientes para (quase) todo mundo. Chega a ser incrível a queixa da insuficiência de tempo, e por mais incrível que isto soe, até mesmo meus pais já se queixam da falta de tempo. Os horários para lazer infelizmente se reduzem. Como já vi "alguém" dizer, a semana passa tão depressa que nem sobra tempo pra vir aqui no Blog. Gostaria de ter mais tempo para isso.
Por isso tudo, a impressão que tenho hoje é que o tempo não é o mesmo de alguns anos atrás. O mundo parece girar mais rápido. Informações chegam a cada fração de segundo. O jornal que saíra de manhã já está ultrapassado ao final da tarde (em alguns casos até antes disso). Esperar o próximo jornal na TV para saber o resultado do jogo que não foi televisionado não é mais necessário: as informações chegam em tempo real pela internet. E por falar nela...tente imaginar o mundo de hoje sem internet. Impossível!
Parece que o mundo está correndo. Correndo para o fim. O que se nota é, nada mais, que uma correria contra o tempo. Confuso, sim. Mas é bem verdade.

Mas toda regra tem sua excessão. O único tempo que não diminui é o tempo para quem espera. Ah, este sim, nunca será o mesmo para quem é esperado. Muito pelo contrário: quem espera percebe o tempo multiplicado.

E por falar em tempo, é bom ir parando por aqui: 10 de Abril está cada vez mais perto, e acredite só: amanhã terei muita coisa pra fazer... e pouco tempo. E será que vai dar...tempo?